Poesia| Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira

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4 comentários
  1. Adoro! Uma das minhas preferidas de Bandeira. Deliciosa de declamar, caprichando na tosse na respiração! Resta-nos dançar com emoção!
    Está muito bacana o Blog!
    Edu Peyon

  2. Aos meus amigos da saúde, especialmente os médicos ,dedico este
    poema
    Constantemente, com a rotina estressante e mecânica de
    nossas profissões supervalorizamos a beleza e eficiência
    de procedimentos e intervenções idílicas e deixamos de
    prezar pelos mais simples recursos : a anamnese e o exame
    físico.
    Quanto á vida pessoal, tornamo-nos Transformers á serviço da
    raça humana e nos esquecemos de que também já fomos humanos!
    Mas a dúvida mortal: e o Carpe Diem???? E se não existir mais um
    dia?????
    Ficam as indagações para reflexão

    Bom dia a todos!!!!!

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