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Colaboradores | Gilson Iannini

DSM100

Gilson Iannini e Antonio Teixeira*

Eu gostaria de agradecer a Philippe Von Haute por ter me convidado a apresentar aqui uma conferência sobre o DSM 5, e ao mesmo tempo lhe pedir desculpas, pois não pretendo propriamente falar sobre o DSM 5 nessa tarde. Interessa-me, antes, abordar a virtual edição de um futuro DSM 100, por motivos que irão se elucidar ao longo de minha exposição. Mas é preciso proceder por etapas: antes de chegar a esse último DSM 100, façamos uma breve abordagem descritiva de sua 11ª versão, mediante a leitura de um artigo sobre seu lançamento publicado em grande estilo pelo prestigioso New York Times, no dia 10 de outubro de 2030. Eis a reportagem:

Em razão dos aspectos imprecisos e vagos do DSM 5, lançado há 16 anos pela American Psychiatric Association, a doravante chamada American Neuro-psychiatric Association desenvolveu uma política de revisões periódicas do DSM que hoje alcança sua 11ª versão. As inovações dessa nova versão prometem um grande progresso científico no tratamento das doenças mentais. Entre as novas síndromes descritas, ela enfatiza a padronização do tempo normal de luto para até 3 dias (além do qual, o luto deve ser tratado como uma patologia depressiva excessivamente intensa), assim como a descrição objetiva de 27 síndromes que afetam lactentes e recém nascidos, afora as tão esperadas síndromes relacionadas com trabalho, religião, artes e política.

Além da descrição de 374 novas síndromes, adicionadas aos 1470 transtornos já descritos na última versão de 2027, o DSM 11 também inclui um aplicativo que leva menos de três segundos para fazer o diagnóstico. Esse aplicativo se conecta a um sistema de delivery através do qual o paciente recebe a medicação diretamente em casa ou no leito hospitalar.

No capítulo sobre a adolescência, foi introduzida a síndrome do “diário de memórias”, descrita como uma compulsão a escrever experiências imaginárias em linguagem codificada e a desenhar coraçõezinhos inúteis, afetando principalmente meninas. Do lado masculino, foi igualmente incluída a “síndrome de constituição de bandas de música sem futuro promissor ao menos provável”, onde se descrevem patologias relacionadas à necessidade compulsiva de formar bandas com o gênero musical em voga. A “síndrome de invencionice crônica” agrupa sintomas relacionados à necessidade de pessoas, até então consideradas artistas, de inventar novas maneiras de fazer coisas. Os sintomas dessa condição são: o uso de palavras fora de seu contexto descritivo e comunicativo, o uso de acordes musicais desnecessariamente dissonantes, o uso de objetos comuns de maneira inusitada, a ocupação do espaço de modo não convencional. Grande progresso foi notificado com a descrição da “síndrome de estado profissional indefinido” que afeta muitos adolescentes em idade de definição profissional. Read More

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