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Colunas | In Situ por Fátima Pinheiro

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Por Fátima Pinheiro*

As coisas são feitas de esquisitices, nos diz Lacan, quando se pergunta se este não seria o caminho futuro esperado pela psicanálise – o de se dedicar suficientemente à esquisitice [1] . A arte contemporânea não só nos aproxima das esquisitices como nos convida a interrogar sobre elas.

Neste ensaio vamos indagar sobre o corpo na arte e seus limites, encontro que leva as últimas consequências a operação que joga com a presença e a ausência dos semblantes. Confluência que pode induzir ao pior ao mostrar um real sem véu, a partir do corpo despojado de qualquer semblante.

Nas décadas de 60 e 70 a arte produziu um paradoxismo de estilos[2], o que significa que não era preciso nem mesmo ser um objeto visual palpável para ser considerada uma obra de arte visual, assim como não havia uma forma especial para a aparência das obras de arte. Exemplo disso é a não diferença entre a Brillo Box de Andy Warhol e as caixas de Brillo do supermercado. Os artistas ao afirmarem uma ideologia libertária se sentiam livres para fazer arte da maneira que desejassem. Este foi o momento fecundo para o aparecimento da body-art ou arte do corpo, que embora esteja associada à performance não trata de produzir representações sobre o corpo, como se observa em toda a trajetória da história da arte, mas ao contrário apresenta o corpo de forma fragmentada, evidenciando a perda da totalidade encarnada pela arte renascentista. Embora a body-art tenha surgido somente em 1969 já havia artistas que trabalhavam o corpo como suporte para intervenções, representantes de uma linhagem radical de vertente sado- masoquista como, por exemplo, os do Acionismo Vienense (1965), Wiener Aktionsgruppe, ou o “Grupo de Acção de Viena”, onde se destacaram Arnulf Rainer (1929), Hermann Nitsch (1938), Günter Brus (1938) e Rudolf Scwarzkogler (1940-1969) [3].

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Esses artistas inicialmente trabalhavam o corpo como extensão do campo pictórico, passando aos poucos a utilizar substâncias reais em suas intervenções: o sangue jorrado sobre corpos humanos ou de animais fazia parte de suas ações[4]. Mais tarde realizaram ações transgressoras de tabus sociais, assim como ações ritualísticas que tangenciavam questões sexuais, onde enfatizavam as funções orgânicas, tais como: urinar, defecar, vomitar revelando o excesso de gozo no corpo. De forma frequente o corpo era submetido a queimaduras, sodomizações, ferimentos, marcando um limiar tênue entre a vida e a morte.

Rudolf Scwarzkogler foi um dos artistas do Wiener Aktionsgruppe que se destacou por explorar os limites do corpo através de suas ações performáticas realizadas entre 1965 e 1966. A primeira, Casamento, foi realizada frente a uma plateia, mostrando uma espécie de ritual invertido. No lugar de fórmulas socialmente aceitáveis de troca de anéis, votos de fidelidade e assim por diante – ele evoca imagens de contaminação (com a cor ‘clean’ azul) a partir da separação, de lesões, tortura e morte. As ações subsequentes foram executadas apenas para uma câmera. Nelas retirava camadas de sua pele com uma lâmina e depois se fotografava, enfaixado. Basicamente, as ações de Schwarzkogler, tais como os dos demais acionistas, têm uma forte conotação política, onde o corpo é alvo da crueldade, da repressão, humilhação e dor pela asfixia promovida pelo Estado capitalista.

Aos 29 anos, em 1969, Schwarzkogler, suicida-se criando um mito em torno desse fato, que alguns especulam como sendo uma passagem ao ato devido à automutilação, a amputação do seu próprio pénis diante do público em uma performance. Outros dizem que por ele ter sido bastante influenciado pela obra de Yves Klein teria simulado o Saut dans le vide (Salto no Vazio) famoso trabalho fotográfico do artista. Estas versões, porém, foram desmentidas por Keith Seward na Revista Artforum em 1994, alegando que o suicídio de fato ocorreu, contudo distante de uma plateia.

O que nos parece fundamental situar, finalmente, a partir dessas versões, é que a obra do artista, para além do próprio artista, produz efeitos no Outro, cria um espaço ficcional, resituando o corpo dentro do discurso. A resposta que a obra do artista faz surgir, portanto, é da ordem de uma produção, de um fazer, de uma ficção, que como afirma Miller [5] , está marcada pelo recanto do semblante. Assim a arte além de revelar de forma surpreendente os modos de gozo de nossa época nos aponta para o que ressoa do campo do Outro.

 

[1] Lacan, J. O triunfo da religião. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2005, p.64.
[2] Danto. A. Após o fim da arte- A arte contemporânea e os limites da história. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.
[3] http://www.tate.org.uk/art/artists/rudolf-schwarzkogler-4823

[4] Matesco, V. Corpo, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2009.
[5] Miller, J.A.”Coisas de fineza em psicanálise”. Documento de trabalho para os seminários de leitura da Escola Brasileira de Psicanálise, 2009.
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*Fátima Pinheiro é psicanalista, artista plástica e colunista do Blog da Subversos

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Por Fátima Pinheiro*

Marie Cècile Conilh de Beyssac é uma artista francesa que vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em Arquitetura em Paris, estudou pintura, fotografia, cerâmica, mixed media, instalação e arte interativa. Entre suas principais exposições destacam-se:  Men in Boxes, Design Gallery, Tóquio, 2011; From Above, Gallery Nomadica, Tóquio, 2012; Afetos&Saberes, Escritório de Arte Matha Pagy, Rio de Janeiro, 2013 ; Arte, uma Política Subversiva TAL/TechArtLab gallery, Rio de Janeiro, 2013.

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Da série “CREATIONS-TRADITIONS.JP”

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1-Fátima Pinheiro: Você nasceu na Alemanha, tem nacionalidade francesa e chegou ao Brasil à pouco tempo vinda de Tóquio onde morou durante o período de sete anos. Fale-nos um pouco dessas experiências de viver em vários países e de como se deu a sua entrada na arte.

Marie Cècile Conilh de Beyssac: Eu nasci na Alemanha de onde não tenho nenhuma memória. Do contrário, minha infância no sudoeste da França, com suas florestas, me fizeram amar a solidão; Madrid me deu o amor pelas festas, o Canadá pela natureza, o Japão pelos humanos, e hoje o Brasil me faz amar, por sua vez, a loucura da esperança. Eu sou profundamente francesa o que implica uma certa curiosidade pelos outros. De toda forma, o que é determinante na minha atração em exprimir o indizível, são os momentos mágicos entre dois lugares de migração, os filtros subjetivos do exílio voluntário, a posição muito particular de um estrangeiro que olha sem fazer parte. Eu desejava falar da relação íntima que estabeleço com um novo território e a maneira que ele habita então o meu cotidiano. Foi esse processo que me levou para a Arte, abandonando a arquitetura por essa necessidade de tratar desse estado de “habitar” e mais ainda o de “viver”.

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Parte central do tríptico “Wake up” – 80cm x 80cm olho sobre madeira

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2-Fátima Pinheiro: O seu trabalho apresenta uma multiplicidade de suportes. Você trabalha com pintura, fotografia, instalações, cerâmica. Em sua casa-ateliê podemos transitar de um ambiente a outro e perceber a riqueza dessa variação de suportes. Como se dá o seu processo criativo, e o que faz você entrar e sair de um suporte?

Marie Cècile Conilh de Beyssac: Essa é uma questão que esta se resolvendo com felicidade, a cerâmica, a pintura abstrata e figurativa, as instalações e meu trabalho conceitual… sinto a certeza de que eles se encontrarão um dia de forma mais evidente. Hoje, eles se encontram, flertes tímidos, mas eu tenho confiança no desenrolar dessas relações. Meu último projeto junta de maneira natural a fotografia, novas mídias digitais (Giff), instalação e, pela primeira vez, a cerâmica junto, tudo a serviço do conceito. No meu cotidiano, os estados de criação de cada técnica, cada mídia, me proporciona o contato com energias diferentes às quais eu não pretendo renunciar, ao contrário disso, eu aspiro fundir essas técnicas e linguagens na minha produção. Por que abrir mão de uma de uma ferramenta ou um material para construir? Na arquitetura falamos: “O arquiteto e artista no tempo da escolha” . Para mim é a multiplicidade de escolhas que me torna criativa. A dificuldade é ter uma linguagem coerente e sensível para conseguir essa união de forma bem sucedida, estou trabalhando neste sentido.

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Paisagens de atelié, série refllexões 2013 fine art print 42 x 59 cm

Paisagens de atelié, série refllexões 2013 fine art print 42 x 59 cm

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3-Fátima Pinheiro: É muito interessante a maneira que você dá início aos seus trabalhos aqui no Brasil, através do próprio espaço de sua casa. Você retoma a sua assinatura que é composta de dois pequenos retângulos negros, desenvolvida no Japão, os ten-ten cujo significado é pausa na imagem e a transporta para a paredes de sua casa. Fale-nos como foi essa experiência para você.

Marie Cècile Conilh de Beyssac: Na época em que eu era estudante de arquitetura eu conheci um artista plástico, François Seigneur que colaborava com Jean Nouvel. Me tocava particularmente a forma dele de revelar em seus trabalhos traços de vidas anteriores. Suas fotos e suas intervenções retraçavam o espectro de um móvel, um quadro na parede, um sofá… esses trabalhos me provocaram uma enorme emoção, que me remetia às minhas partidas e chegadas. Esse momento sagrado e suspenso, que acontece no momento de entrar em uma casa vazia, silenciosa, que guarda ainda a memória dos outros… ou a casa que você está deixando com seus próprios traços secretos que só você pode reler. É essa relação intima, e introspectiva com meu ambiente imediato que eu quero explorar, me apropriar.

O que é curioso em relação a este artista é que ele acabou por trabalhar com arquitetura, e eu me tornei artista, enfim, no fim das contas tivemos percursos simétricos. Hoje em dia os trabalhos dele são difíceis de encontrar, eu mesmo passei horas a procurar em vão…

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"Ausência aguda presençia" SESC Copacabana, Rio de Janeiro, 2013

“Ausência aguda presençia” SESC Copacabana, Rio de Janeiro, 2013

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4-Fátima Pinheiro: Grande parte de seus trabalhos partem de situações cotidianas, feitas de apagamentos e vazios projetados em paredes, janelas, espelhos, como os trabalhos que você apresentou no Sesc, na mostra Ausência, aguda presença (2013). A casa é o seu suporte maior?

Marie Cècile Conilh de Beyssac: O apagamento, o vazio, a sombra, o esquecimento…. esses são temas que me tocam particularmente. Na Ásia eu tive um reencontro com partes que já eram minhas, um reconhecimento desses valores. Essa consciência de que a acumulação, o cheio, a transparência, o excesso de informações são valores pouco qualitativos. Eu gosto do filtro que me oferece o a mudança de cenário , eu gosto desse lugar construido pela mudança, a leveza que o esquecimento traz. Na França nós utilizamos a palavra bagage – bagagem – para experiência… é uma carga! É engraçado mas para mim o ideal é 1m² por pessoa… guardar o essencial, se autorizar a não compreender tudo, a não saber tudo, não ter tudo! Pegar aquilo que te faz progredir e avançar em si. A casa é sim meu primeiro território e logo vou precisar partir, eu gosto de me saber assim. É essa condição do vazio que me permite ocupar o lugar. Era lógico para mim criar esse diálogo com a casa e esse espaço interno primeiro no Brasil, eu não falava ainda o idioma !!! Agora posso sair, falo portugues (ou quase !) e vou enfim ter agora minha dupla nacionalidade !

 

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Da série “Cocoons”

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5-Fátima Pinheiro: Você transita também sobre uma variação de escalas em seu trabalho. O primeiro trabalho seu que vi possuía uma escala muito pequena, o que me instigou a pensar em resíduos, fragmentos, como se fossem letras. Você também deposita em saquinhos os restos de seus trabalhos criando assim novos objetos. Isto é algo muito instigante, a meu ver, no seu trabalho, dos restos você cria a sua arte. Como isso se dá ?

Marie Cècile Conilh de Beyssac: O cotidiano e a intimidade é feita de resíduos, de banalidades, de pequenas coisas. Para mim o que importa não é a obra em si mas o seu processo. É como se o trabalho final contivesse esse caminho que uma outra pessoa pode comprar, levar e colocar na sua parede. Esses fragmentos invisíveis constroem meu trabalho ao longo das obras. Dentro dos pequenos sacos, estão os panos com resíduos da minha pintura, eles são leves e em si não valem nada no entanto eles contém elementos importantes da continuação do caminho a seguir.

Para o que trata de escala, e obviamente o japão que me ensinou a olhar os detalhes com especial atenção, as pequenas coisas que fazem a beleza das grandes. Essa relação íntima, reservada, retida. A economia do espaço para deixar o campo livre ao vazio do outro. O Brasil me deu uma grande vontade de abrir os braços, de me libertar, mas é muito cansativo !!! Então eu venho agora com a felicidade do cochicho, o prazer de ver os outros de perto. Eu escuto com alegria o barulho “carioca” e participo também disso com minhas pinturas que se tornaram grandes e coloridas !!

 

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6-Fátima Pinheiro: Você tem um projeto de intervenção em livros provenientes de incêndio, como também cria livros mínimos, que são pequenos objetos, relicários que podemos levar conosco. Esses pequeníssimos livros fazem com que tenhamos com eles uma relação de intimidade não só por conta das imagens contidas neles, mas também por conta da escala diminuta. O que você tem a dizer sobre esses projetos?

Marie Cècile Conilh de Beyssac: Você vai ficar decepcionada, eu não considero esses livros como relíquias, não, longe disso, é mais o contrário, eu queria meus trabalhos mais leves e portáteis… são apenas objetos, nada mais, mas são pesados a transportar, e portanto tento cada vez desmaterializar. Neste projeto, eu maltrato honestamente estes livros magníficos de arte sem nenhum respeito pelos grandes artistas dos quais eles contam histórias. Assim que eles me foram entregues, eu me joguei sobre as duas caixas para sentir a materialidade delas, seu peso, mas rapidamente elas foram um problema para oƒ meu atelier, uma intrusão, uma contaminação. Então comecei como na casa, comecei a inserir neles as mesmas marcas, o ten-ten, sem deixar me distrair pelo conteúdo deles, nem mesmo um olhar! Contaminação, apropriação, e surpresa, uma vez virando suporte, eles me permitiram uma conversa interessante e livre, é um processo em curso, eu ainda não entendi tudo ainda desse trabalho, vai vir com o tempo com próprio processo.

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*Fátima Pinheiro é psicanalista, artista plástica e colunista do Blog da Subversos

Por Fátima Pinheiro*

Pedro Kosovski (1983) – Dramaturgo carioca, formou-se no teatro “O Tablado” onde atualmente é professor. Mestre em Psicologia pela PUC-RIO, atualmente é professor da pós-graduação em Psicologia Junguiana, Arte e Imaginário. Criou, em 2005, “Aquela Cia. de Teatro” – núcleo artístico de criação e pesquisa da linguagem teatral. Escreveu a peça Outside (2011), com Aquela Cia. de Teatro – indicada ao Prêmio Questão de Critica, na categoria Dramaturgia e Prêmio APTR, na categoria Melhor Texto; vencedora do Prêmio FITA de Melhor Texto. Outside foi publicada na coleção dramaturgias do selo Questão de Critica. Escreveu, também, a peça Cara de Cavalo (2012), com Aquela Cia de Teatro – vencedora do Prêmio Questão de Crítica e indicada ao Prêmio Shell 2012 na categoria Melhor Texto – e Enquanto estamos aqui (2012), criação, em parceria, com os artistas Marcio Abreu e Marcia Rubin. Entre os seus trabalhos mais recentes, estão Cosmocartas – Hélio Oiticica e Lygia Clark e Edypop, com Aquela Cia. de Teatro; em cartaz atualmente no Teatro SESC- Copacabana, Do Artista Quando Jovem (2010) e Lobo Nº1 [A estepe] (2008). Foi diretor em parceria com Marco André Nunes de Malentendido, de Albert Camus (2009).


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1- Fátima Pinheiro: Suas últimas peças Outside, que está em cartaz no Teatro SESC – Copacabana, Cara de cavalo e Edypop são musicais nos quais você homenageia três artistas: David Bowie, Hélio Oiticica e John Lennon. Há uma conexão entre as três peças? Podemos pensar em uma trilogia na sua dramaturgia?

Pedro Kosovski: Há uma estreita relação entre as três peças, entretanto, eu e meu parceiro, Marco André Nunes, nunca pensamos em designar esta sequência como trilogia. Talvez porque o termo “trilogia” sugira um fechamento de um trabalho que acreditamos ainda ter muitos desdobramentos. Testemunhamos na nossa trajetória artística o irromper de fases nas quais nos detemos sobre determinadas técnicas e procedimentos sendo possível traçar internamente semelhanças entre as obras. Eu explico: Outside foi uma inflexão no trabalho da Aquela Cia., pois pela primeira vez colocamos uma banda em cena. A encenação ganhou contornos operísticos e a música passou a desempenhar uma função narrativa. Esses três trabalhos citados por você são marcados pelo signo da música. Vínhamos de trabalhos sobre autores clássicos da literatura como Kafka, Goethe, Hesse e Joyce e sua transcriação para a cena. Consideramos esses primeiros trabalhos como uma fase de formação. De fato, em Outside começamos. A relação entre Outside e Edypop sempre me pareceu mais evidente, pois ambos os trabalhos tem como ponto de partida a obra de artistas com reconhecida semelhança. Bowie e Lennon foram amigos, inclusive compuseram em parceria. Além disso, a língua inglesa e a relação com indústria cultural são termos que permitem uma aproximação direta entre ambos. Cara de Cavalo, por sua vez, é uma chegada em um território nacional e me parece um ponto fora da curva. Os vetores de sua criação apontam além da dobradinha Cara de Cavalo/Hélio Oiticica para Nelson Rodrigues. Assim como Outside e Edypop, Cara de Cavalo é também uma peça musical, ou seja, há a presença dos músicos na cena, canções (em menor quantidade que em Outside e Edypop) e uma trilha sonora que opera um pulso rítmico, mas entretanto, trata-se de uma dramaturgia precisa e seca e não transbordante como as outras duas.

2 – Fátima Pinheiro: Edypop é um neologismo criado a partir de um chiste , conforme você observou em seu ensaio publicado, recentemente, no caderno “Prosa e Verso” de O Globo. Podemos pensar que a peça, na medida em que trabalha com absurdos, estranhezas e com o efeito do cômico, seja ela mesma da ordem de um chiste?

Pedro Kosovski: É um chiste. E somente dessa perspectiva seus absurdos, seus excessos e falta de sentido adquirem força. Há na criação de Edypop a formação de um jogo que desorganiza a linguagem, e sentimos isso concretamente durante o processo. É possível afirmar que foi a criação que menos esteve em nossas mãos, que menos nos concentramos em pensar estruturas, mas sim, criar aberturas de sentido para que as imagens gerassem imagens. Mas como em todo chiste há, em Edypop, um rebaixamento na dramaturgia que não foi possível conter, um mau gosto constitutivo e, isso às vezes me envergonha. Penso em toda a elegância e sobriedade do minimalismo, por exemplo. Era isso que eu pretendia. Mas, não: o chiste ataca e vulgariza. Edypop é vulgar e tenho que baixar a cabeça e me conformar com isso. O que pensar da cena onde Jocasta dá a luz a um pedaço de carne? Extremo mau gosto!

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3 – Fátima Pinheiro: O que levou você a enlaçar a tragédia grega de Sófocles Édipo Rei com a cultura pop?

Pedro Kosovski: Édipo Rei pode ser considerada a tragédia mais popular. Mas o que nos interessa de fato é certa arqueologia do signo “Édipo”, que é anterior a Sófocles e faz parte da tradição oral do mito. Sófocles, com toda sua maestria, imortalizou Édipo em uma poética. Em nossa pesquisa tivemos contato com incontáveis versões do mito de Édipo, que relativizam a versão oficial do herói que matou o pai e casou com a mãe, pois a oralidade mítica ativa sempre variações. Entretanto, é inegável que a versão oficial de Sófocles foi a que “colou” e sobreviveu no imaginário por milênios até hoje. Isso, sem dúvida, sinaliza algo. O signo “Édipo” atravessou a história da civilização e se prestou aos usos e significados mais diversos; Édipo foi apropriado, adaptado, distorcido e recriado por inúmeros artistas e pensadores. Édipo serve a todos. De Sófocles, Henry Purcell, Stravinsky, Freud, Deleuze e Guattari até o pastiche das novelas brasileiras. Édipo com mil e uma utilidades. Esse é o ponto em que me parece possível traçar cruzamentos com o pop. Após tantas investidas, Édipo se sustenta contemporaneamente – meio coxo como sempre, e pulverizado no senso comum. A meu ver, essa sustentação se deve menos a um suposto núcleo essencial do mito que se preserva, e mais a sua plasticidade e potencial de se adaptar às investidas mais selvagens. Mas com pensar um mito pop? Parece-me uma contradição. Pois o mito remete a imagens da profundidade e o pop a imagens da superfície. O mito narra a trajetória de homens e mulheres ilustres, e o pop é banal, cotidiano e vulgar. Ao mesmo tempo, observamos personalidades, artistas, esportistas da indústria cultural que são designados como mito. É o caso do John Lennon. Daí criou-se o enigma de Edypop: Como conduzir Édipo – o mais pop dos heróis gregos – até John Lennon – o mais edipiano dos artistas pop? Como produzir zonas de vizinhanças entre as imagens da profundidade e as imagens da superfície?

4 – Fátima Pinheiro: Já no final da década de 30 Jacques Lacan, psicanalista, apontou a degradação do papel do pai na família e na sociedade, aspecto que você evidencia de forma clara em Edypop, a partir dos personagens “Laio” e “Freud”. Para você essa é uma questão importante a ser pensada na contemporaneidade?

Pedro Kosovski: Sim, muito se discute sobre a degradação do pai. Mas há um aspecto que nos deparamos na pesquisa de Edypop, que poderia ser mais debatido pois se faz urgente para a atualidade. Laio, em sua juventude, tem uma paixão homossexual por Crisipus, o jovem filho do rei Pélops. Segundo especialistas, esta é a primeira menção à homossexualidade na mitologia grega. O amor entre Laio e Crisipus é condenado e o jovem acaba se suicidando. Após este episódio, Laio gera um filho em Jocasta, cujo o destino será matar o próprio pai e casar-se com a mãe: Édipo. Não se trata de pensar a relação de causalidade entre o episódio homossexual de Laio e o vaticínio de Édipo. Mas talvez se possa refletir sobre essa imagem homossexual de Laio. A degradação da posição paterna deve ser pensada ativamente. O que chamamos de degradação não poderia também ser chamado de fragilização? A fragilidade não é a condição necessária para amar? A relação entre pai e filho é tradicionalmente pensada do ponto de vista do poder, da rivalidade e do aniquilamento do adversário. Pai e filho matam-se. Primeiramente, Laio quer matar Édipo e não consegue e depois Édipo, sem querer e sem saber, mata o próprio pai. Apropriando-se da imagem homossexual de Laio é possível reposicionar a relação entre pai e filho do ponto de vista erótico. Há entre pai e filho, constitutivamente, um primeiro amor homossexual que é negado pela cultura. Isso sim é extremamente penoso e devastador. Em uma cultura heteronormativa são negadas as condições primárias para que o pai possa amar o seu próprio filho, pois homem não pode amar outro homem. Acho que esse aspecto merece um debate mais aprofundado e antecipo que será o tema da próxima peça da Aquela Cia. intitulado, Crisipus.

5 – Fátima Pinheiro: Edypop é, em minha opinião, uma peça muito bem articulada musicalmente, tanto no que se refere ao trabalho vocal dos atores, à escolha do repertório de John Lennon, quanto a composição de quatro músicas realizadas por você em parceria com Felipe Storino. Ao assistir a peça tive a impressão de que a presença da música era a mais pura expressão do trágico em Edypop. O que lhe parece?

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Pedro Kosovski: Há dois aspectos implicados na sua pergunta que se articulam, e mais uma vez retomam a contradição entre as imagens da profundidade e as imagens da superfície. O primeiro aspecto remete à tese nietzscheana em que a música é apontada como gênese da tragédia. O segundo remete ao formato que a indústria do divertimento empacota os espetáculos musicais. A apresentação de Edypop é mais a de um show de rock e menos a de um espetáculo musical. Essa é a ideia: conduzir tragicamente o formato “espetáculo musical”, com sua cafonice e mau gosto intrínsecos até a anarquia e o despojamento do show de rock. A música é o elemento que opera esse percurso. Além disso, outras questões aparecem como, por exemplo, pensar a banda de rock sob o signo do coro grego.

6 – Fátima Pinheiro: O complexo de Édipo está ligado de maneira estreita à descoberta do inconsciente para Freud. Essa concepção, a do inconsciente leva em conta a atemporalidade, uma vez que passado, presente e futuro não estão situados dentro de uma perspectiva linear. Em Edypop você faz operar algo muito instigante a partir da atemporalidade, me parece, uma vez que você produz uma síntese entre momentos descontínuos e experiências diversas que não estão ordenados em uma linearidade temporal. Como, por exemplo, vemos a inclusão dos black- blocs na ágora grega criada na peça. O que você pensa a esse respeito?

Pedro Kosovski: Acho que esse pergunta se articula com o modo como penso o contemporâneo e suas correlações de tempo. A singularidade de nosso tempo possibilita despojar toda uma herança cultural de milênios – de Sófocles e Freud, por exemplo – nas expressões mais imediatas, como é o caso dos Black-blocs, sem que esses termos se reduzam entre si e sem que haja sínteses. O que se produz a partir dessas articulações “impróprias” de espaço-tempo são estranhamentos. O estranho é algo que captura minha atenção.

*Fátima Pinheiro é psicanalista, artista plástica e colunista do Blog da Subversos

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Por Fátima Pinheiro*

Renato Rezende (1964) é escritor, poeta, tradutor, artista visual, e participou recentemente, juntamente com Cláudio Oliveira (filósofo) e Ana Lucia Lutterbach Holck (psicanalista) de uma atividade preparatória para as XXII Jornadas Clínicas da EBP-Rio e do ICP-RJ, intitulada “Nós e o corpo do texto”, organizada, conjuntamente, pela Coordenação das Jornadas, pela Comissão de Biblioteca da Seção-Rio e pela Unidade de Pesquisa Práticas da letra. Autor de vários livros, entre eles: Passeio (Record, 2001), Ímpar (Lamparina, 2005), prêmio Alphonsus de Guimarães, Noiva (Azougue, 2008), e Amarração (Circuito, 2012), Renato Rezende nos concedeu uma entrevista especial sobre o seu livro Caroço (Azougue, 2012), obra que faz parte de uma trilogia, onde revela de forma impactante a sua experiência radical e singular com a escrita e o corpo. Essa entrevista é um convite direto às palavras do escritor/poeta, que tão bem as situou em seu livro, através de um personagem, como sendo “minha marca, de fogo, indelével, uma marca que diz: eu escrevo”. Vamos, então, a ela. Veja aqui a entrevista

*Fátima Pinheiro é psicanalista, artista plástica e colunista do Blog da Subversos

Final del año.

Ni el pormenor simbólico
de reemplazar un tres por un dos
ni esa metáfora baldía
que convoca un lapso que muere y otro que surge
ni el cumplimiento de un proceso astronómico
aturden y socavan
la altiplanicie de esta noche
y nos obligan a esperar
las doce irreparables campanadas.
La causa verdadera
es la sospecha general y borrosa
del enigma del Tiempo;
es el asombro ante el milagro
de que a despecho de infinitos azares,
de que a despecho de que somos
las gotas del río de Heráclito,
perdure algo en nosotros:
inmóvil.

Jorge Luis Borges

Fervor de Buenos Aires (1923)

Por Fátima Pinheiro

Lucíola Freitas de Macêdo nasceu em Fortaleza- CE (1970) e mora em Belo Horizonte-MG. É poeta e psicanalista, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise, e dirige a coleção de psicanálise Estudos Clínicos, pela Editora Scriptum/BH. Desenvolve, atualmente, uma pesquisa de doutorado em Estudos Psicanalíticos na UFMG, e publicou Vida Esperança (Salvador: Contemp, 1985).

Soante, o segundo livro de Lucíola Freitas de Macêdo, recentemente publicado pela editora Scriptum, é ímpar, mesmo que não ocupe uma posição numérica que o situe como tal. Ímpar porque soante, assim o li. E o que o faz ser soante? Talvez seja pelo “ruído sibilante do corte, de onde advém o imprevisível da poesia”, como bem o disse Ruth Silviano Brandão, ou como nos mostra Isaura Pena, que de forma contundente, através de seus desenhos, retira da palavra algo da ordem do traço, do signo e o faz soar na página branca. Mas, sobretudo, é soante, eu diria, pelo som que produz o vazio, como somos tocados por sua poesia em incarn´ato:

o vaziopleno sonoro

esburacando seu tecido

fazendo o verbo

ex-istir ao som

separado do sopro

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É com prazer que apresento a entrevista que realizei com Lucíola Freitas de Macêdo, na qual vocês poderão observar a sua arte, por meio de suas respostas e, em especial, por meio de sua poesia. Através de soante podemos nos interrogar sobre o inquietante uso das palavras, feito pela poeta, em sua prática da letra, e quem sabe até, ao sermos surpreendidos por ela, chegar a dizer: este livro é algo para apreendermos com os ouvidos, tal qual a psicanálise nos faz experimentar, pois a poesia de Lucíola é feita de restos, de restos sonoros, como vamos conferir. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

2- Fábio Magalhães-Sem Título (Série Retratos íntimos) Óleo sobre Tela - 190 x 190 cm - 2013

Por Fátima Pinheiro*

O corpo foi desde sempre objeto de interesse para os artistas, tendo recebido tratamento diverso ao longo da história da arte. Concebido como perfeito, pela civilização grega e pelo pensamento judaico – cristão, o corpo foi moldado a partir do ideal associado a valores espirituais e elevados do homem. Na modernidade, transcendendo a maneira clássica, o corpo não mais está comprometido com as questões e princípios que o concebiam como uma unidade. A invenção da psicanálise por Sigmund Freud, com o advento da sexualidade, introduz um corpo fragmentado, um corpo animado por pulsões, transpassado pela vida e pela morte. Ao contrário de ser um corpo entendido como unidade, ele é um corpo único, não só por sua constituição biológica, mas por ser atravessado pela linguagem. E é isto que lhe confere uma língua própria, marca do humano por excelência.

Na arte, as vanguardas do século XX (dadaístas, surrealistas, expressionistas) realizaram a fragmentação da figura humana. O corpo foi, então, distorcido pelo afeto, pelo sofrimento. Picasso, entre outros artistas, evidencia esse aspecto, de forma contundente, ao decompor as figuras, mostrando assim a força da ruptura através da sua revolução cubista.

Hoje a arte contemporânea, no sentido estrito do termo, a arte do agora, parece se encontrar envolta com as questões onde o corpo cada vez mais evidencia a perda da totalidade tão bem encarnada na arte renascentista, marcando assim a sua transitoriedade e finitude. E de algum modo pode-se dizer que o corpo da contemporaneidade se encontra alijado de certas marcas identificatórias que dariam a ele consistência. Por outro lado observa-se, muitas vezes, como aponta o psicanalista Éric Laurent, em seu texto recente Falar com o seu sintoma, falar com o seu corpo: que “os corpos parecem se ocupar deles mesmos, se alguma coisa parece se apoderar deles, é a linguagem da biologia.” Produto e efeito dessa linguagem são os corpos operados, amputados, transformados e à mercê de um real diverso daquele afetado pela língua.

A arte toca o real e o artista é aquele que com o seu “saber-fazer”, expressão cunhada por Jacques Lacan,  mostra a inquietante e única maneira de recolher um pedaço de real, extraindo algo novo. Para testemunhar sobre esse novo que a arte inaugura convidamos o artista baiano Fábio Magalhães, para falar de seu trabalho, neste número de “O artista por ele mesmo”. Fábio faz parte do grupo de artistas brasileiros selecionados pelo Itaú Cultural no Programa Rumos (2011/2013), e que está expondo, atualmente, na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro, a série intitulada “Retratos Íntimos”. Fábio Magalhães trabalha com o que recolhe de suas observações do cotidiano, e com algo, como ele afirma, que escapa ao entendimento lógico, e é com essa matéria que ele cria a surpreendente “visceralidade” de sua obra. Confiram, a seguir, a entrevista, e seus principais trabalhos.

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1- Fátima Pinheiro: Que corpo você visa com sua arte?

Fábio Magalhães: Trata-se da construção de um corpo imagético/ficcional, em que parto da minha própria estrutura física, e através de metáforas visuais, crio condições inconcebíveis de serem retratadas, senão por meio de artifícios e distorções da realidade. O corpo não é pensando desassociado do Ser, ele torna-se seu habitat. Sou levado a refletir sobre as condições do humano e da vida pelo meu desejo de transformar a memória deste Corpo/Ser em práticas visuais das mais plurais, por meio de associações e relações temporais e espaciais com a minha própria Identidade. Acredito que isso não é determinado pelo o que é externo, e sim pelo que reside dentro do homem, daquele que se reconhece através do seu próprio corpo, do seu comportamento, dos seus sentimentos e de suas paixões, em busca de se inventar a cada momento. Isto faz com que eu arraste todas as reações deste Corpo/Ser como objeto de estudo.

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2- F.P.: Como se dá o seu processo criativo?

F. M.: Trabalho em uma persistência poética da pintura autoreferencial, neste sentido, parto da imagem como índice fotográfico para desembocar numa outra realidade, a pintura. Nesta, encontro possibilidades para inserir uma carga subjetiva e simbólica, necessárias às minhas intenções como artista. Procuro criar um jogo de metáforas visuais, ao qual se configura uma atmosfera carregada de situações que, talvez, possam informar algo que escapa ao nosso entendimento. Assim, crio em pintura, um espaço para expor a coexistência de realidades referentes ao humano. Deste modo, o trabalho se aproxima de um processo de autoconhecimento, é como libertar algo do interior da alma.

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6- Fábio Magalhães - Sem Título (Série Retratos íntimos) Óleo sobre Tela 100 x 130 cm -  2012

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3- F.P.: Você utiliza o seu próprio sangue para realizar os seus trabalhos?

F. M.: Sim, isso faz parte do meu processo de criação, como falei anteriormente. Crio um ato inicial no ateliê, que diz respeito à elaboração de uma cena para atender a um ato fotográfico que termina em pintura. A fotografia é processual, pois apenas captura a imagem, não faço uso de fotografia pré-existente em meu trabalho, e depois que os quadros estão prontos, eu as destruo. Para essa obra em questão, “Retratos Íntimos”, convidei um enfermeiro que veio ao meu ateliê, onde fizemos a coleta do sangue, que posteriormente, foi utilizada na simulação do coração.

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4- Fábio Magalhães - Sem Título (Série Retratos íntimos) Óleo sobre Tela - 150 x 150 cm - 2013

3- Fábio Magalhães - Sem Título (Série Retratos íntimos) Óleo sobre Tela - 150 x 150 cm - 2013

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4- F. P.: A sua arte é bastante impactante e desafia/problematiza a equivalência arte=belo. O que você tem a dizer sobre isso?

F. M.: Essa relação Arte/Belo já foi banida da Arte há muito tempo atrás, e isto teve início com os Expressionistas. Segundo Artur Danto os dadaístas foram os principais responsáveis pela morte da Beleza na Arte. Penso que não seja necessário travar discussões como essa em minha obra.

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8- Fábio Magalhães - Sem Título (Série Retratos íntimos) Óleo sobre Tela - 140 x 190 cm - 2013

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5- F. P.: Em sua opinião qual é o lugar dado ao corpo na cultura contemporânea?

F. M.: Essa é uma pergunta cuja resposta pode ser bem ampla. A contemporaneidade não traz um novo corpo para ser habitado, mas um corpo que passa a ser visto, e entendido dentro de um processo histórico, e não se resume a uma simples massa, uma vez que ele é atemporal. Entretanto, este corpo tenta acompanhar às mais novas invenções tecnológicas, da era digital, em meio de uma corrida desenfreada, onde se vislumbra uma significativa mudança nas relações humanas. Entre diversos modos, comportamentos de consumo, fobias, ansiedades, stress, evidencia-se um corpo fraco, vinculado à cultura do descartável, do consumo que relaciona homem-objeto-mercadoria.

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*Fátima Pinheiro é psicanalista, artista plástica e colunista do Blog da Subversos

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