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Por Thiago Miazzo

Em 2011, Julia Holter fez sua estreia com o disco Tragedy, inspirado na tragédia grega “Hipólito”. Não era um disco fácil de ouvir, cada movimento soava como engrenagem em uma complexa estrutura sonora, tornando a audição uma tarefa cansativa, que exigia um bocado de concentração. Eu mesmo sentei no PC pra resenhar esse disco uma pá de vezes, abrindo mão do desafio logo nos primeiros minutos. Mesmo se tratando de uma obra tão indigesta, Tragedyangariou elogios dos blogs especializados e figurou em uma série de listas de melhores do ano.

Ekstasis foi lançado em streaming pela NPR e tem seu lançamento oficial previsto para março de 2012. Logo de cara, percebemos que se trata de um disco bem mais fácil de ouvir do que o seu antecessor, utilizando-se de estruturas mais convencionais, conservando porém a riqueza de detalhes e a meticulosa exploração de timbres e possibilidades. Músicas como “In The Same Room” e “Goddess Eyes II” se destacam pelas melodias caprichadas, que de tão marcantes, acabam se aproximando da “easy listening”. Dá pra ver que Holter dedicou muito tempo ao processo de composição de cada uma das dez faixas que compõem o álbum, desconstruindo e reconstruindo cada melodia para enfim chegar ao resultado desejado.

Na faixa que abre o disco, “Marienbad” , as harmonias vocais costuram uma louca melodia, acompanhada por um instrumental encarregado das marcações e da carga dramática. Não existem notas jogadas ao acaso, cada clique, cada ruído é uma peça que se faz necessária, que faz da música o que ela é, tal como em outro bom exemplo, a faixa “Boy In The Room“. Tentar encaixar Julia Holter dentro de um gênero também é um esforço que se faz em vão, pois suas influências passam pela música clássica contemporânea, pela música eletrônica das décadas de setenta e oitenta, até à ambientque talvez seja o rótulo que melhor define sua obra.

A todos aqueles que estão prestes a ouvir Ekstasis, uma recomendação: fones de ouvido. E dos bons. Tempo livre é outra coisa que ajuda, pois cada música do álbum é uma experiência semelhante ao jogo “Onde Está Wally?” utilizando os tímpanos no lugar dos olhos, atento a cada detalhe que passou despercebido na audição anterior e, cara, eles não param de surgir!

via http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/03/critica-disco-julia-holter-ekstasis.html

chuckberryduckwalk1Desmistificar uma suposta origem glamourosa sem que se perca a força da música. Neste breve histórico do blues acompanhamos as marcas de suas origens sociais e dos passos estratégicos que fizeram desse gênero um sucesso em um determinado contexto que nos deixou legados dos mais variados.

Se sua origem remonta um dos mais complexos períodos para os negros nos Estados Unidos, seu sucesso se explica também por ações de marketing e publicidade. Nem puristas que precisam crer na exclusão de planos comerciais, nem céticos que só acreditam no vigor do mercado, fiquemos com a música como instrumento que seduz, entristece e alegra. Às vezes, tudo ao mesmo tempo, às vezes multidões/gerações inteiras.

Leia aqui o texto.

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