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Está pronta a segunda edição da publicação Urgência sem Emergência?, lançada originalmente em 2007 pela Subversos, em parceria com o Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro (ICP-RJ) e, pouco tempo depois, esgotada. O livro acolhe textos e falas produzidas por ocasião do I Colóquio do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Saúde Mental do ICP-RJ, em maio de 2005, e de suas repercussões. O leitor poderá acompanhar questões que envolvem o trabalho em instituições e dispositivos de acolhimento na rede de saúde mental, as urgências com que ali se deparam os profissionais e a ação que se espera do psicanalista no intuito de retirar a urgência de uma abordagem padronizada e que exclui o sujeito. Os textos são costurados por um fio que os conectam às densas reflexões em torno da temporalidade de nossa época. Nas palavras Glória Maron, uma das psicanalistas organizadoras do Colóquio e uma das grandes responsáveis pela publicação: “Esperamos que o leitor deste volume desdobre sua leitura em três tempos: os tempos de ler, elaborar e concluir, encontrando subsídios que o auxiliem a responder ao tempo requisitado pela urgência em consonância com a época que vivemos”. 

Segue um trecho de Urgência sem emergência?:

“É preciso pensar que não se trata de melhorar o desempenho de certas profissões, mas de saber se são dignas de sobreviver em uma época em que a temporalidade mudou. É um desafio para a psiquiatria, para psicanálise e para outras áreas. Se não há uma compreensão do que seria um tempo plástico, múltiplo, não se consegue dar conta da formidável exigência que é feita à nossa geração. Se o psicanalista não for capaz de dar um tratamento a isso, a disciplina dele não merece sobreviver. É uma questão de saber se há chances ou não da psicanálise entrar no século de maneiro efetiva.
O interesse do campo freudiano por novas experiências clínicas e institucionais que se dedicam ao estudo e ao acolhimento das urgências subjetivas não se deve a um modismo ou a uma tentativa de estar “up to date”, mas a uma sensibilidade para as transformações na própria experiência do tempo. A urgência é o sintoma principal dessas transformações, que impõem uma mudança nas maneiras de viver as dimensões do passado, do presente e do futuro.
A dimensão temporal hoje se mostra diferente de uma época em que se tinha uma certa ideia de que passado, presente e futuro compunham um tempo. É preciso que se tenha uma ideia, tanto na teoria quanto na prática, em qualquer nível de intervenção e de exigência do real, de que isso se articula com uma tendência geral da época. Trata-se de pensar que há dados novos na cultura. A temporalidade é como um papel que se amassou e não voltará mais a ser liso”.
Romildo do Rêgo Barros

*A publicação Urgência sem emergência? faz parte da Coleção Andamento do ICP-RJ, cujo editor responsável é Romildo do Rêgo Barros. A Subversos é parceira nesta e em outras publicações da Coleção.

O texto a seguir é a resposta de Antonio Teixeira à crônica Uma lei errada de Ferreira Gullar publicado em 12 de abril de 2009, na Folha de São Paulo (leia aqui a crônica de Ferreira Gullar).

Indiferença e Silêncio. Talvez tal binômio fosse a melhor resposta ao artigo Uma lei errada , publicado na Ilustrada da Folha de São Paulo, nesse domingo último, destinando-o à vala comum dos panfletos inconseqüentes. Talvez não valesse a pena responder a uma tal infâmia se o artigo tivesse sido escrito pelo representante de uma confederação qualquer dos hospitais ou dos laboratórios, mas não: estamos lendo um escrito assinado pelo autor do inigualável Poema Sujo, por um dos co-atores do Manifesto Neo-concreto, estamos falando do grande poeta Ferreira Gullar. Diante de tão influente personalidade, urge responder diretamente ad hominem, impossível face a ele se calar.

(Leia aqui a continuação do texto)

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