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Arquivo da tag: Saul Leiter

Por Paula Delecave

E de repente, naquele longínquo início de 1950, quando o cotidiano da vida americana  parecia destinado a permanecer imortalizado nas imagens monocromáticas de Robert Frank, William Klein, Diane Arbus ou Weegee,  Nova York se viu banhada em cores.

Tudo obra da visão  pioneira de Saul Leiter,  filho de um erudito rabino nascido em Pittsburgh que fez do East Village em Manhattan sua pátria definitiva e fotografou Manhattan em amarelo, verde, vermelho e azul Kodachrome como ninguém.

Leiter morreu no dia 26 do último novembro, aos 89 anos, 60 dos quais viveu ora esquecido pelo circuito das artes ora sendo redescoberto e cultuado como joia rara. Seu reconhecimento final pelas grandes instituições mundiais ocorreu somente a partir de 2006, quando já passara dos 80 anos… Em depoimento à Fundação Henri Cartier-Bresson de Paris, que tinha reservado um andar para sua obra em preto e branco e dedicara outro andar inteiro para os trabalhos em cor, ele explicou assim as vantagens de ter os passos ignorados: “Creio que foi o que me permitiu olhar à minha volta e reagir sem estar preparado de antemão. Pude ver o que os outros não viram.”

(..) As imagens do autodidata Leiter eram envolventes e luminosas, ternas. Mesmo quando vibrantes, emanavam quietude. Sua obra era contemplativa, preocupada com cor e geometria. “Ver é uma tarefa bastante negligenciada”, costumava dizer. Preferia não estatelar em demasia a sua intenção nem o seu foco. “Gosto quando não sabemos por que o fotógrafo fez determinada foto; e quando de repente, sem sequer saber a razão de estar olhando para determinada imagem, descobrimos algo nela, só então começamos a ver. Gosto dessa confusão”, ensinava.”

Dorrit Harazim
Saul Leiter (1923-2013), O retratisa do fluir a vida

Mother & Baby In Mirror, 1950s by Saul Leiter

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